domingo, 18 de dezembro de 2011

Clipping: Aprendizagem Cooperativa ajuda no ingresso e na permanência de estudantes na Universidade

O/a estudante como sujeito ativo e responsável pelo aprendizado. É assim que funciona o processo de Aprendizagem Cooperativa, metodologia na qual os/as participantes se reúnem em grupos com o objetivo de resolver alguma dificuldade ou problema encontrado na aprendizagem. No lugar do individualismo e da competitividade, união e ajuda mútua.

Foi para divulgar as experiências de Aprendizagem Cooperativa já existentes no Ceará que professores, pesquisadores e estudantes se reuniram, nessa semana, noI Encontro Cearense de Aprendizagem Cooperativa. O evento, organizado pela Coordenadoria de Formação e Aprendizagem Cooperativa (Cofac) da Universidade Federal do Ceará (UFC), destacou, entre outros pontos, as iniciativas que utilizam a metodologia no estado: o Programa de Educação em Células Cooperativas (Prece) e o Programa de Aprendizagem Cooperativa em Células Estudantis da UFC.


Aurenir Luz, coordenadora da Escola Popular Cooperativa (EPC) do município de Paramoti, é exemplo de que a metodologia funciona. Participante do Prece na comunidade de Cipó, município de Pentecoste, ela, logo depois que entrou na faculdade, levou a experiência da Aprendizagem Cooperativa para o município de Paramoti. Hoje, graduada em Marketing, Aurenir é coordenadora da EPC de sua cidade natal.

"O Prece ajuda a estimular [o estudante para] o estudo, a aprender a estudar em grupo e não depender somente do professor. Os participantes constroem uma autonomia intelectual”, comenta, lembrando que os estudantes que conseguem ingressar na Universidade servem de exemplo e de valorização para o grupo. "[A Aprendizagem Cooperativa] se importa com o fortalecimento do jovem como protagonista da sociedade”, acrescenta.

Assim como Aurenir, diversos jovens retornam à comunidade para atuar como facilitadores do processo de aprendizagem. De acordo com ela, a experiência do Prece surgiu em 1994 na comunidade de Cipó, onde estudantes se reuniram para estudar em "uma velha casa de fazer farinha”. A persistência resultou em aprovação. "Dois anos depois, o primeiro passou para a UFC”, relata.

A ideia é que os estudantes que ingressam no ensino superior retornem à comunidade para auxiliar os outros. Atualmente, o Prece possui 19 Escolas Populares de Cooperação, presentes em cinco municípios cearenses, e conta com mais de 2 mil participantes em todos os projetos coordenados por estudantes.

A iniciativa deu tão certo que passou a ser aplicada na UFC. De acordo com Caroline Avendaño, da assessoria de comunicação da Coordenadoria de Protagonismo Estudantil da Secretaria da Educação do Estado (Seduc), a experiência de Aprendizagem Cooperativa do Prece passou a ser utilizada em 2008 na UFC através do Programa de Aprendizagem Cooperativa.

Se a ideia do Prece é o estudo em grupo para ajudar os jovens a ingressar no ensino superior; na UFC, a intenção é estimular os estudantes a permanecer na Universidade. "A ideia é fortalecer o laço de amizade, é estimular o grupo a não deixar o curso”, comenta.

Neste ano, o Programa concedeu bolsas para 250 estudantes dos mais diversos cursos da UFC para montar um grupo na Universidade utilizando a Aprendizagem Cooperativa. Nos grupos, os participantes trocam conhecimentos e experiências, servindo de ajuda mútua para superar as dificuldades de permanência na instituição.

Atualmente, um projeto de parceria entre Seduc, UFC e Prece também leva a experiência da metodologia para escolas públicas do Estado com o objetivo de valorizar a Aprendizagem Cooperativa e ajudar os estudantes a ingressarem na Universidade.

Quer saber mais? Acesse:
http://cofacufc.blogspot.com
http://prece.ufc.br
http://estudantecooperativo.blogspot.com/

Fonte: Agência Adital (http://www.adital.com.br/?n=b79r)

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Quero falar de uma coisa...

Na verdade, quero falar de pessoas, de um grupo que resolveu não mais permitir que podassem seus destinos, que roubassem seus sorrisos de meninos.

De uma gente que mesmo tendo nascido no sertão árido do Ceará jamais deixou de cuidar do broto, de semear a esperança e ir em frente mesmo quando as adversidades pareciam maiores.

Quero falar de uma gente teimosa que se reunia em plena casa de farinha, à luz das lamparinas e à luz da cooperação, em busca de um novo caminho, de um novo tempo e de uma nova história.

Quero falar de uma gente que resolveu apoiar a quem ainda nem mesmo acreditava que filho de agricultor podia sentar no banco da universidade.

Quero falar de uma gente que semeava esperança, que se tornou professor, mestre e doutor em solidariedade.

De uma gente que não conhecia o futuro, mas tinha certeza que não viveria para repetir o passado. De uma gente que compartilhava o conhecimento, a comida, o sofrimento e os sonhos e que encarava a tarefa enfadonha do estudo horas e horas e noites a fio.

Quero falar de superação, de histórias de vidas, de filhos, de filhas, de pais e mães que tiveram a oportunidade de escrever e mais que isso, que tiveram a capacidade de modificar sua própria história.

Quero falar de uma gente que vivia à margem, que não tinha acesso, que era excluída e de uma gente que se tornou protagonista, autônomo.

Quero falar de uma gente que mesmo depois de ter uma família constituída se atreveu a desafiar as leis do tempo e o generalismo da sociedade e entrou na universidade junto com a filha. De uma gente que abre as portas da casa, partilha a vida e faz escola.

Quero falar de uma atitude ou de várias atitudes, de uma cultura nova de ser não apenas um e seu parte de um todo. De uma gente que não desiste, que encara chuva, poeira, lama e encara o esquecimento do poder público.

Quero falar de uma gente que resiste às intempéries do tempo e estuda embaixo de árvore, em praças, em barracas de palha e em casa de amigo. De uma gente que pega a estrada altas horas da noite e acorda cedo para cooperar com quem ainda tem muito a aprender.

Quero falar de uma gente que troca o fim de semana de lazer pelas aulas de Redação, de Biologia, de Química, pelas aulas de contribuição social, de aprendizagem cooperativa de mútua educação.

Quero falar de um jovem movimento chamado PRECE que chega aos 17 com jeito de 25, 30 anos, com ares de quem já viveu muito na história contada por cada dos precistas. E como bem diz a música inspiradora de Miltom, o PRECE e sempre será coração, juventude e fé.


Texto de Aurenir Luz em comemoração aos 17 anos do PRECE.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Prece da Esperança

PRECE DA ESPERANÇA*

Cada célula é um tributo à união
De mentes, sonhos e valores coletivos.
Neurônios entrelaçados pelo coração
De estudantes sensíveis e cooperativos.

Conhecimentos partilhados em comunhão
Como um banquete solidário de pães
Fermentados pelo intercâmbio de lições,
Exemplos de vida e histórias de superação.

Vivenciar a essência libertária da educação,
Protagonizada por jovens que dão as mãos
Em ambientes autônomos de aprendizagem;
Despidos de hierarquia, timidez e competição.

A fé humana deve começar em si mesmo,
Louvando a sabedoria e a vontade de mudança
Nascidas de comunidades que viviam a esmo.
Parabéns por praticarem a PRECE da esperança!

Autor: Pablo Robles

*Poesia dedicada ao PRECE. A inspiração fluiu durante visita no dia 15 de outubro de 2011, Dia do Professor - ao município cearense de Pentecoste, berço desta brilhante experiência de educação, inclusão social e desenvolvimento humano.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

PRECE n'O Povo de hoje: 151 municípios cearenses têm alunos na UFC

151 municípios cearenses têm alunos na UFC

O perfil dos estudantes que passaram na UFC desenhado pela pesquisa da Andifes aponta mudanças na universidade federal cearense

O vestibular da Universidade Federal do Ceará, acontecido ano passado pela primeira vez aos moldes do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), abriu as portas do ensino superior público a muitos interioranos do Estado. Em 2011, 151 municípios cearenses aprovaram estudantes pela UFC. O salto, identificado pela reitoria este ano, aponta tendências expansionistas e significa boa notícia para o reitor Jesualdo Faria. “O Sisu democratiza o vestibular e a expansão da UFC pelo Interior também é responsável pela mudança. Estes resultados nos deixam bastante felizes”, declara.
Em consonância com as boas novas aportadas pelo derradeiro concurso, saiu o resultado de pesquisa nacional realizada em 2009.2 pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) cuja participação da instituição também traz novidade. Os números são comemorativos. 63,5% dos universitários federais no Ceará têm renda familiar igual ou inferior a R$ 2.656. Apesar de a maioria dos estudantes virem de famílias não tão abastadas, 65% fizeram ensino médio em escola particular.

Não é o caso da Claudiana Martins. Aos 23 anos, essa cearense de Apuiarés, município a 119 quilômetros da Capital, cursa o terceiro semestre em pedagogia na UFC – antes disso, foi aluna de escola pública. O Programa de Educação em Células (Prece) foi quem fez o link entre Apuiarés e o ensino superior. O Prece é projeto de extensão da própria UFC, os universitários participantes viajam as cidades interioranas do Ceará para preparar os vestibulandos estado afora. “Não fossem eles, eu não pensaria na universidade”, admite a estudante.

Aos finais de semana, Claudiana devolve os conhecimentos a jovens como ela. Volta para casa em ônibus da Secretaria da Educação do Estado e conversa com os novos vestibulandos, agora voltados para as artimanhas do Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem. “Depois da formatura, quero voltar pra casa. Ensinar no Interior. A vida é mais calma e quero devolver o que recebi”.
Tendências

“Com a expansão - sobretudo pelo interior - era esperado pela reitoria. Sempre se dizia o contrário por aí, mas o que ainda acontece são os cursos historicamente ocupados por alunos da escola particular. Medicina é o mais conhecido”, complementa Jesualdo. O levantamento específico por curso está em andamento pela reitoria. O perfil financeiro modesto dos estudantes universitários, conforme o reitor, tende à ampliação: “Este ano, acredito, estamos em melhor situação”.
ENTENDA A NOTÍCIA
O Ceará é composto por 184 municípios. A UFC tem campus em Fortaleza, Quixadá, Sobral e Cariri. Com 69% de estudantes da Capital, a instituição, conforme a reitoria, caminha para expansão entre os conterrâneos do Interior.

A oportunidade muda os lugares

Quando Claudiana Martins pensava em Fortaleza, gostava de acreditar dia desses ir morar “lá”. Se imaginava doméstica em casa de família, ou vendedora d’algum centro comercial. Depois da escola, ficava-se parado ou tentava-se a vida pela Capital. Os dias eram assim.

A palavra universidade veio bem depois, e foram precisos três anos de dedicação pós ensino médio para o projeto se concretizar. Os estudantes da UFC chegaram a galope em Apuiarés, organizaram os estudos dos pretendentes e prometeram voltar. Desde então, todos os finais de semana são de troca. Durante os dias úteis, os meninos estudam por conta, juntos, são jovens e adultos. Sábados e domingos, pessoas como a estudante Caroline Avendaño, de 26 anos, aportam para tirar as dúvidas.

Cinco municípios participam do programa: Pentecostes, Apuiarés, Paramoti, General Sampaio e Fortaleza. Os grupos de estudo ocorrem em escolas construídas pelo próprio projeto ou em instituições de ensino público do próprio sistema local. “É revolucionária a possibilidade de mostrar aos estudantes a universidade. É emocionante essa troca, não é longe da realidade o vestibular, mas eles precisam ser apresentados à possibilidade”, opina a Caroline.

Foto: Claudiana Martins, de Apuiarés, estuda na UFC após cursar o ensino médio em escola pública no Interior (SARA MAIA)

Fonte: Jornal O Povo (Ceará) em Link 1 e Link 2
Data: 10 de Agosto de 2011

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Cabras da Peste

Música feita para o documentário Cabras da Peste feito pela Ana Caroline para o PRECE. O nome do autor é Menezes, ele é rapper.

terça-feira, 19 de julho de 2011

PRECE: vidas em SuperAção

     Pentecoste tem sido palco, nas últimas semanas, de uma grande concentração de estudantes que estão participando do SuperAção Enem 2011. Trata-se, especificamente, do Ciclo de Palestras sobre o Enem. Mas, as ações do Programa de Educação em Células Cooperatias – PRECE apoiando estudantes no caminho rumo à universidade se confundem com a própria história do programa. No próximo mês de outubro, o PRECE completa 17 anos de existência. Foram muitas lutas, muitos obstáculos e muitos pedaços de sonhos degustados cooperativamente pelos meandros da nossa recente história.
Rememorando um passado não tão distante, podemos dizer que, antes do PRECE, eram poucos os filhos de Pentecoste e do Vale do Curu, oriundos da classe popular, que conseguiam ingressar no ensino superior. Mas, agora, “Somos muitos Severinos, iguais em tudo na vida.” (Como diria João Cabral de Melo Neto). Isso não só porque é expressiva a quantidade de estudantes precistas no ensino superior. Mas, também, porque nossas dores são irmãs, nossas esperanças companheiras de estrada e cultivamos juntos um grande roçado de sonhos.
Então, agricultores, pescadores, vaqueiros, donas de casa, moto-taxistas, professores, bodegueiros, desempregados e muitas outras pessoas simples, filhas desse nosso torrão, que têm sofrido por conta da injustiça social e dos desmandos de nossos governantes, agora, veem seus filhos se graduando, fazendo mestrado, doutorado e ingressando no mercado de trabalho.    
            Com isso, podemos afirmar que o PRECE surgiu como aquela chuva anunciada pelo voo das formigas, pelo balé das árvores e pelo canto dos pássaros. Ele é aquele vento agradável que diz para o agricultor que a chuva vem logo ali.  Esse programa é a garra estampada no peito do vaqueiro que rasga a caatinga em busca dos garrotes arredios. O PRECE é uma profecia que se materializa cotidianamente na vida de muitos jovens sertanejos que, além de ingressar na universidade, retornam e são protagonistas em suas comunidades de origem.
E dessa mesma forma, o SuperAção Enem é mais uma das muitas atividades desenvolvidas por esse programa orientando estudantes que irão fazer o Enem, apoiando com uma boa estrutura (social, pedagógica e cognitiva). Mas, sobretudo, motivando aqueles que ainda não ingressaram no ensino superior com o compartilhamento de experiências e de histórias de vidas. Assim, não é exagero dizer que o PRECE é feito por vidas em SuperAçã e o SuperAção Enem é o PRECE com você rumo à universidade.

Nonato Furtado
Coordenador do SuperAção Enem

Fonte: http://superacaoenem.blogspot.com/