Quem somos nós?


CARLOS ROBERTO DE SOUSA GOMES (BETO)
Carlos Roberto de Sousa Gomes (Beto) nasceu na comunidade de Jardim de Fora, em Pentecoste, aos nove de dezembro de 1978. É filho do vaqueiro João Félix Gomes e da professora Francisca de Sousa Gomes (Nenê), com quem aprendeu as primeiras letras na Escola de Fundamental Paulo Ferreira.
Aos sete anos de idade, mudou para a pequena escola municipal do Cipó onde estudou com a mesma professora até a quarta série. Aos onze anos, transferiu-se para a escola de Ensino Fundamental Manoel de Oliveira Sales, pois esta era a mais próxima, que oferecia as séries da 5a à 8a.
Antes de Beto concluir este último ano, o professor Manoel de Andrade Neto o convidou para participar do principiante Projeto Educacional Coração de Estudante (PRECE); além disso, o jovem estudante já participava do curso de datilografia oferecido pelo mesmo professor numa antiga casa de farinha, que era ministrado por Francisco Antônio Alves Rodrigues (Toinho).
 No dia 18 de outubro de 1994, ingressou no PRECE e passou a revisar a disciplinas do Ensino Fundamental. Não tendo idade para cursar o Ensino Médio pelo Sistema de Estudo Supletivo, após a revisão iniciou o estudo dos módulos, mesmo sem poder realizar as avaliações. Aos dezessete anos meio, matriculou-se no Centro Educacional de Jovens e Adultos (CEJA) de Fortaleza, onde submetia-se as provas quinzenalmente, durante um ano e três meses.
 Antes de concluir o Supletivo do Ensino Médio prestou vestibular para o curso de Agronomia na Universidade Federal do Ceará (UFC), não obtendo êxito na segunda fase do exame. No ano seguinte, foi morar nas dependências da Igreja Presbiteriana Independente de Fortaleza, período em que estudava em grupo com outros integrantes do PRECE e preparava-se novamente para o vestibular da UFC para o mesmo curso, do qual obteve sucesso. Aos fins de semana, continuou retornando à sede do PRECE para orientar grupos de estudo nas disciplinas de Física e Matemática.
Em 1999, quando iniciou a sua vida acadêmica, trabalhou no laboratório de bioquímica do professor e pesquisador Benildo de Sousa Cavado, na pesquisa sobre lectinas, onde permaneceu durante seis meses. No semestre seguinte, passou a trabalhar no horto de plantas medicinais. Do terceiro ao sétimo semestre tornou-se bolsista do CNPq (Centro Nacional de pesquisa) orientado pelo professor e pesquisador Francisco Ivaldo Oliveira Melo. Por intermédio deste, estagiou na EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) orientado pelo pesquisador João Rodrigues Paiva, na qual trabalhava com o melhoramento de acerola (Malphigia glaba L.).
No oitavo ao décimo semestre foi bolsista de Extensão da UFC, orientado pelo o professor e pesquisador Manoel Andrade Neto, desenvolvendo atividades nas comunidades rurais do município de Pentecoste, nesse período foi coordenador do projeto agrícola e do futebol no PRECE. Beto foi um graduando exemplar, que se dedicou à prática de atividades importantes dentro do seu curso acadêmico, além de contribuir bastante para o trabalho educacional na sua comunidade.
Durante na vida acadêmica foi jogador da seleção universitária de futebol, atuando em vários campeonatos tornando-se campeão de alguns, e, isso fortaleceu laços de  amizades.
Em meados de 2004, Beto concluiu seu curso e foi convidado a trabalhar na Associação de Cooperação Agrícola do Estado do Ceará - (ACACE), como técnico no convênio INCRA/SEBRAE, prestando assessoria técnicas em assentamentos de 2004 a 2005, no município de Santa Quitéria.
No final de 2005, foi desafiado por Manoel Andrade para desenvolver atividades nas comunidades rurais de Pentecoste, com objetivo de contribuir com o desenvolvimento sustentável da região do vale do rio Canindé nos municípios de Pentecoste, Apuiarés e Paramoti no Estado do Ceará. Utilizando o aproveitamento dos recursos naturais, e atividades produtivas já existentes, através da assessoria técnica, conscientização e organização de produtores rurais. Esse trabalho colaborou com os desenvolvimentos de varias atividades e melhoria de vida para os agricultores rurais da região.
Em 2007, foi convidado para trabalhar na Secretaria de Agricultura do município de Pentecoste, atuando como Agente Rural com atividades que contribuem com o desenvolvimento Rural Sustentável do Município.
No período de 2008-2009 foi professor da ESCOLA AGROTÉCNICA DO CRATO – UNIDADE UMIRIM, na qual foi docente das disciplinas de: Agroecologia, Cooperativismo, Mecanização Agrícola, Topografia, Conservação de Solo e Instalações e Construções Rurais.
No final de 2009 passou a atuar no INSTITUTO AGROPOLOS DO CEARÁ, na elaboração de Plano de Desenvolvimento dos Assentamentos (PDAs) nos Assentamentos Estaduais do Ceará.
Atualmente, está realizando atividades de consultorias gerais na área de Agronomia e trabalhando na ONG Fort Projetos no Estado do Ceará.
Beto é mais um dos exemplos de sucesso do PRECE, que através da educação, cooperação e da solidariedade tem feito a grande diferença no sertão do Ceará.  
   
  JOSÉ NOBERTO SOUSA BEZERRA
José Noberto Sousa Bezerra nasceu aos 18 de outubro de 1974, na localidade riacho do Serrote, Apuiarés. Filho do falecido e agricultor, Felisberto Lopes Bezerra e da costureira Maria Anésia Sousa Bezerra, iniciou os estudos numa escola anônima, dando continuidade da alfabetização até a 4ª série, na escola Nely Ribeiro Luz, em Canafistula, Apuiarés.
Noberto não pode prosseguir seus estudos, pois seu pai precisava de apoio no trabalho da roça e o convocou juntamente com seus irmãos para fazê-lo. Posteriormente, por gostar de futebol e desmotivado para os estudos, foi incentivado por alguns amigos, para ir morar na casa de parentes em Fortaleza e treinar no time juvenil do Ceará “Sporting Club”. Lá permaneceu durante três meses, mas as dificuldades de manter-se obrigou-o a retornar para a casa de seus pais.  
Sua obsessão pelo futebol levava-o a participar de torneios e campeonatos de futebol, ocasião em que teve a oportunidade de conhecer o Professor Manoel Andrade Neto, organizador de um campeonato da localidade, que o incluiu em uma seleção para representar a comunidade nas competições municipais. Em outubro de 1992, Noberto foi residir em Fortaleza com o referido professor com o objetivo de novamente treinar no time do Ceará Sporting Clube e nesse período foi incentivado pelo professor a reiniciar seus estudos.
Já com 18 anos e sem esperança de se profissionalizar no futebol, apenas com a 4a série primária e  fora da faixa etária, resolveu o seguir o conselho do professor e recomeçar seus estudos no Centro de Estudos para Jovens e Adultos em Fortaleza, para concluir o ensino fundamental. Para iniciar os estudos por esse sistema, Noberto teve que participar de um teste de sondagem no qual ficou reprovado na disciplina de português. Pouco tempo depois, após estudar bastante em casa participou de uma nova sondagem e conseguiu aprovação habilitando-se para se matricular no CEJA. Porém, após conseguir aprovação nos primeiros testes, teve que retornar o sertão de Apuiarés onde morava seus pais, pelo fato de seu amigo e também anfitrião professor Andrade casar-se, e por força das circunstâncias não poder mais hospedá-lo naquele período.
Mesmo no interior, Noberto já consciente da necessidade de estudar e motivado o suficiente para isso, em julho de 1993 matriculou-se no supletivo na cidade de Pentecoste onde concluiu o ensino fundamental. Em meados de outubro de 1994, foi convidado pelo professor Andrade para fazer parte de um grupo de estudos na comunidade de Cipó, do qual originou-se o hoje conhecido Programa de Educação em Células Cooperativas (PRECE). Nesse ano, ele ingressou em um curso de datilografia ofertado pelo PRECE e monitorado por um de seus alunos, o atual pedagogo Francisco Antonio Alves Rodrigues.
As atividades educacionais do PRECE, naquela ocasião funcionavam em uma casa-de-farinha praticamente abandonada (atual sede do Escola Popular Cooperativa Cipó e do PRECE), distante sete quilômetros de sua residência  onde Noberto não somente estudava com seus colegas mas também lá residia. Noberto, juntamente com seus companheiros, eram orientados e estimulados pelo prof° Andrade, e dia-a-dia alimentavam a esperança de concluir os ensinos fundamental e médio para futuramente, ingressarem em uma universidade.
Em 1997, em fase de conclusão do Ensino Médio pelo Supletivo, Noberto resolveu prestar vestibular na Universidade Federal do Ceará (UFC), para o curso de Educação Física, mas não logrou êxito.
Em 1998, foi aprovado no vestibular da UFC, para o curso de Licenciatura em Química e  através do programa de residência da Pró-reitoria de Assuntos Estudantis, Noberto conseguiu Residência e Alimentação durante o período em que foi estudante universitário. Foi bolsista do Conselho Nacional de Pesquisas na modalidade de iniciação a pesquisa trabalhando na área de Fitoquímica (Química de Plantas) e no PRECE  foi tesoureiro e professor de Química Geral no Pré-vestibular e um dos fundadores e colaborador da Escola Popular Cooperativa de Canafístula, sua comunidade de origem.
Em 2004, foi aprovado para o Mestrado na UFC, na área de Química de Produtos Naturais, com um projeto para Estudo Fitoquímico de Petiveria Alliaceae, popularmente conhecida como Tipi.
Em 2005, casou-se com Ana Beatriz, do Município de Apuiarés.
Em 2006, já tendo concluído o mestrado, consegue ser aprovado para o Doutorado, na mesma área em que fez o mestrado.
Em 2007, nasce o primeiro filho do casal, Pedro Artur.
Atualmente, José Noberto é Presidente do Instituto Coração de Estudante, entidade criada em 2003, pelos estudantes universitários do PRECE. Espera concluir o seu doutorado em até 2011 e aguarda pela chegada do segundo filho que nascerá ainda em 2010.
Sua luta com perseverança e determinação, aliada a sua honestidade de princípios e propósitos, têm atraído muitos outros jovens de sua comunidade a participar do PRECE e seguir o caminho da educação. Pode-se afirmar sem a menor sombra de dúvida, que ele tem sido e será um exemplo vivo a ser seguido e imitado.      

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